Filho doa células-tronco na esperança de ver o pai recuperar a visão

Ascom | 13 de novembro de 2017, às 14:19

Voltar a enxergar com a intervenção direta de um filho é como lançar uma luz nos laços afetivos familiares. A medicina, que acompanha com certa regularidade casos envolvendo ações de violência de filhos contra pais e vice-versa, ainda consegue testemunhar ações de solidariedade em família, apesar da crise de valores que parece prevalecer na atualidade. Um exemplo que vale divulgar como uma história inspiradora vem do motorista José Carlos Santiago, de 76 anos e do seu filho, o pintor Carlos José Santiago, doador de células-tronco do limbo da córnea para a cirurgia do pai.

José Carlos foi submetido ao procedimento cirúrgico na Clínica Escola da Unifacisa na última quarta-feira, 8, e fará a revisão nesta terça-feira, 14, mas já informou que está enxergando novamente.

Há cerca de seis meses José Carlos sofreu um acidente enquanto pintava as paredes de um cômodo. O cal atingiu os olhos do motorista que com a queimadura teve perda importante da visão do olho direito, mantendo uma pequena visão no olho esquerdo, que também foi atingido.

Com os dois olhos comprometidos, não seria possível realizar um transplante de células-tronco a partir do limbo de um dos olhos do paciente. A realização da cirurgia dependia de um doador. Pai de seis filhos, José Carlos teve a alegria de vê-los disputar quem faria a doação. Depois de avaliar compatibilidade orgânica e a disponibilidade de tempo para enfrentar a cirurgia,o primogênito Carlos José assumiu com alegria o desafio de enfrentar a mesa de cirurgia. “Quero ver ele fazer o que sempre gostou de fazer. Desde do acidente ele está meio calado e cabisbaixo. Alguns amigos disseram que só fariam uma doação como essa por dinheiro, eu estou fazendo por amor. Eu sei o que ele passou para nos criar. Ele já me deu muito. Agora só em dar a ele a chance de voltar a ver o bisneto já vale”, contou Carlos José choroso.

Também emocionado, José Carlos disse que teve uma surpresa agradável com a iniciativa dos filhos. “Me emocionou ver o amor do filho pelo pai. Doar um órgão para outra pessoa não é fácil. Fiquei surpreso porque não é todo mundo que quer tirar de si para dar a outra pessoa”, comemorou.

Antes da cirurgia José Carlos fez seis meses de tratamento no setor de Oftalmologia da Clínica Escola. A última etapa é a cirurgia, que para dar certo depende muito do grau de comprometimento da visão provocado pela queimadura dos olhos. “Para realizar o procedimento preparamos duas salas cirúrgicas, temos três cirurgiões, anestesistas, mas mais importante do que toda essa parte técnica é o exemplo. Num mundo com tanta inversão de valores, de filhos que não respeitam os pais, é tocante a gente ver o filho fazer doação em vida para trazer a esperança ao pai de voltar a enxergar. Isso é o que paga o nosso trabalho e é o que faz a Unifacisa ser Unifacisa”, declarou o médico Diego Gadelha, chefe da equipe responsável pelo transplante.

Assuntos: células-tronco, transplante de córnea

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