Curso de Sistemas de Informação desenvolve eletrocardiógrafo portátil

Ascom | 22 de abril de 2015, às 21:28

3Por Fernanda Moura

Um aluno do curso de Sistemas de Informação da Facisa está desenvolvendo um eletrocardiógrafo portátil e de baixo custo. Após finalizado, o novo aparelho deverá ter estrutura semelhante aos dispositivos que já existem no mercado, tal como o para aferir pressão, e que podem ser adquiridos por qualquer paciente, para uso doméstico.

Tradicionalmente, os eletrocardiógrafos já existem em clínicas especializadas e hospitais e são utilizados para realizar o eletrocardiograma, exame essencial na análise de doenças cardíacas, em especial as arritmias, e também muito útil no diagnóstico do infarto agudo do miocárdio.

Além do tamanho, o diferencial do protótipo que está sendo desenvolvido por este estudante na Facisa é o baixo custo de produção, por utilizar em sua base uma placa chamada Arduino, que é de fácil acesso, barata e não necessita registro de direitos autorais. “É um sistema que não se limita apenas à parte de software, ele tem um hardware também, ou seja, a parte física. O equipamento convencional custa em média R$ 3,5 mil a R$ 5 mil. O módulo que desenvolvemos custou em torno de R$ 300. Se formos pensar em uma produção de alta escala, este valor pode chegar a R$ 60”, enfatizou o professor Adriano Santos, orientador do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) que resultou no protótipo, e que é de autoria do aluno Genilson Medeiros.

Ainda conforme o orientador, o projeto está na fase de validação. “Esta etapa significa fazer testes científicos para comprovar a veracidade, porque a maior parte das pesquisas que são desenvolvidas nessa área para equipamentos portáteis funcionam até certo ponto, mas esbarram nos padrões médicos dos traçados gráficos emitidos pelo aparelho. A gente conseguiu avançar. Conseguimos desenvolver um produto que segue as mesmas especificações técnicas necessárias para que um especialista médico possa avaliar as condições dos seus pacientes. Em avaliações preliminares, o equipamento mostrou que funciona em perfeitas condições”, completou.

Coordenador do curso de Sistemas de Informação, o professor Hamurábi Medeiros, comentou a importância do projeto. “Os trabalhos orientados pelo professor Adriano têm sempre uma aplicação prática. As monografias podem derivar por uma parte mais teórica, mas a linha do curso de Sistemas de Informação desde o início procura estimular os professores a desenvolverem e orientarem trabalhos voltados para a aplicação de cunho social, para baratear custos. Tenho muito orgulho dessas pesquisas que têm se multiplicado no curso”, declarou.­

2Solução pode salvar vidas

Para desenvolver o eletrocardiógrafo, tanto professor quanto orientando estudaram as técnicas de leitura dos gráficos do aparelho convencional, participando inclusive do curso de eletrocardiografia promovido pela Faculdade de Ciências Médicas de Campina Grande (FCM-CG). “Nós mostramos o projeto ao professor e médico Guilherme Veras e ele nos convidou para participar do curso de eletrocardiografia ministrado por ele. Nesse curso a gente conseguiu conhecer os conceitos técnicos, a parte básica do exame do eletrocardiógrafo, o que nos ajudou muito a montar nosso equipamento”, explicou o autor do TCC, Genilson.

Ele contou que a possibilidade de salvar vidas é o maior estímulo para dar continuidade ao trabalho. “Doenças cardíacas são as que mais matam no mundo, então conseguindo colocar esse produto no mercado, iremos ajudar muito porque ele será bem barato, bem acessível e poderá permitir a pessoas com doenças cardíacas terem a avaliação dos batimentos sempre que julgarem necessário, prevenindo a possibilidade de um infarto por exemplo”, frisou.

O professor Adriano Santos reforçou esta preocupação. “Fizemos uma pesquisa avançada. Para se ter uma ideia, são 800 mil mortes no mundo por ano em decorrência de doenças do coração, 250 mil só no Brasil. São dados cientificamente comprovados pela Organização Mundial de Saúde, por isso estamos tão empenhados na pesquisa e agora contamos com uma equipe interdisciplinar, com estudantes de medicina e enfermagem participando do projeto e assim podermos definir o modelo do módulo que deverá ser lançado no mercado”, ressaltou.

1Sociedade Paraibana de Cardiologia tem boas expectativas sobre o projeto

O presidente da Sociedade Paraibana de Cardiologia (SPC), Helman Campos Martins, referendou o projeto e disse que a tecnologia poderá ser muito útil. “Novas ideias, novas tecnologias são extremamente bem vindas, principalmente neste caso por ser uma ação nossa, regional, paraibana, no sentido de tornar o eletrocardiograma mais acessível, vai ajudar sim a salvar vidas, principalmente nos problemas agudos do coração, como o infarto agudo do miocárdio, porque é uma situação em que o tempo é muito precioso e quando se faz o diagnóstico rápido e preciso, pode-se salvar vidas. Além disso, a perspectiva de uma redução de custos é muito importante porque hoje em dia a medicina é muita cara, então tudo que venha com a redução de custos e com eficácia é extremamente bem vindo”, avaliou.

Para o cardiologista, professor da FCM e membro da SPC, Guilherme Veras, o projeto é revolucionário. “É um projeto inovador, muito interessante e revolucionário de certa forma. A proposta final é produzir uma patente, um dispositivo que possa ser comercializado. Nossa ideia no futuro é levar essa proposta à Secretaria de Saúde Pública do Estado para que todas as cidades da Paraíba tenham o dispositivo”, reforçou.

 

Assuntos: Eletrocardiógrafo, Facisa, inovador, Sistemas de Informação

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